Mil Marias: Grupo de Pesquisa de Imagens da Mulher na Poesia de Língua Portuguesa (FALE/ ILC/ UFPA/ CNPq)                         

 

Raimundo Correa (1859-1911)


Marca d'água

Zulmira

Quando Zulmira se casou... Zulmira
Era o mimo, a frescura, a mocidade;
— Lânguido gesto, estranha suavidade
Na voz — soluço de inefável lyra;

Um candor, que não há quem não prefira
A tudo, e esse ar de angélica bondade,
Que envelhece a mulher, mesmo na idade
Em que, esquiva, a beleza se retira...

Não sei porque chorando toda a gente,
Quando Zulmira se casou, estava:
Bello era o noivo... que razões havia?

A mãe e a irmã choravam tristemente;
Só o pai de Zulmira não chorava...
E era o pai, afinal, quem mais sofria!


CORREIA, Raimundo. “Zulmira”. In: Poesias. 4 ed. São Paulo; Unesp, 1898, p. 66.

 

Projeto de Pesquisa: Tradição e ruptura na poesia de senhor de engenho: imagens da mulher (FALE/ILC/UFPA)
Coordenadora: Profa. Dra. Angela Teodoro Grillo
Bolsista: Ana Lígia Rodrigues Drago (Universal/CNPq)