Chapeleirinhas
Chapeleirinhas pobretās dos olhos mansos:
E' dessas mãos habilidosas
a trabalharem sem descanso
dando vida às plumas, colorindo as rosas,
que sahem esses chapéus ultra elegantes
da menina leviana e da mulher «coquette».
Trabalham tanto as chapeleiras, pobrezinhas.
Sangram os dedos, cansam a vista
à luz do dia, a luz das lâmpadas cegantes
fazendo voar asas inertes de andorinha
a completar um chapéu lindo uma toilette
Chapeleirinhas! As mulheres elegantes
se isto soubessem nem queriam dar na vista!
É uma heroína a minha pobre midinette.
MENEZES, Bruno de. “Chapeleirinhas”. In: Bailado Lunar. In: Obras Completas de Bruno de Menezes. Belém - Pará: Secretaria de Estado da Cultura, v.1, 1993, p. 77.