Lamentação sobre Josefina
Vamos, amigo, vamos, companheiro,
Vamos chorar a leve Josefina.
Vamos amigo meu, chora aquela
Que foi a ingénua nuvem branca
Em escuros céus!
Vamos, amigo, vamos lavá-la
Em nossas lágrimas!
Era branca, era pura, era alegre!
Um dia, sorriu-nos
Lembras-te? Era no inverno.
Ouvíamos os ventos que brigavam
Nas escuras florestas.
Sentíamos em nós os grandes esquecimentos.
Éramos seres abandonados da alegria!
Os nossos olhares não tinham mais o brilho dos que
[esperam.
Estávamos perdidos no tédio.
Trazíamos conosco o peso das nossas longas mocidades.
Foi então que Josefina surgiu!
Era a pequena flor, era a pequena alegria, era a vida que
[nos era de súbito restituída!
Ouvíamos o ,som da sua humilde música, da jovem
[música de Josefina!
Josefina não se lembra mais de si mesma!
Seu corpo é uma pobre casa perdida e escura.
Chorar Josefina é chorar sobre nós mesmos
E sentir a dura existência,
Inflexível aos nossos anseios e aos nossos sonhos!
SCHMIDT, Augusto Frederico. “Lamentação sobre Josefina” In: Cadernos de Cultura, volume 98. MEC, RJ, 1956, p. 38.