Satanismo
Não me olhes assim, branca Aretusa,
Peregrina inspiração dos meus cantares;
Não me deixes a razão vagar confusa
Ao relâmpago ideal de teus olhares.
Não me olhes, oh! não, porquanto eu penso
Envolvido no luar das minhas cismas,
Que o olhar que me dardejas – doido, imenso
Tem a rápida explosão dos aneurismas.
Não me olhes. Oh! não, que o próprio inferno
Problemático, fatal, cálido, eterno,
Nos teus olhos, mulher, se foi cravar!...
Não me olhes, oh! não, que m’entolece
Tanta luz, tanto sol – e até parece
Que tens músicas cruéis dentro do olhar!...
SOUSA, João da Cruz e. “Satanismo”. In: Outros sonetos. In: Obra completa: poesia / João da Cruz e Sousa. Organização e estudo por Lauro Junkes. Jaguará do Sul: Avenida; 2008, vol. 1, p. 83.
Ó Flora
Ó Flora, ó ninfa das rosas,
Ó frescura dos morangos,
Abre as pupilas radiosas,
Ó Flora, ó ninfa das rosas,
Dá-me as estrelas formosas
Do olhar repleto de tangos,
Ó Flora, ó ninfa das rosas,
Ó frescura dos morangos.
SOUSA, João da Cruz e. “Ó Flora”. In: Dispersos. In: Obra completa: poesia / João da Cruz e Sousa. Organização e estudo por Lauro Junkes. Jaguará do Sul: Avenida; 2008, vol. 1, p. 225.